Páginas

quarta-feira, 22 de março de 2017

Anotações da Pascendi Dominicis Gregis

Encíclica em português no site do Vaticano, aqui.

Capitulação:

Introdução

I Parte - Exposição do Sistema e suas divisões
- Filósofo
- Crente
- Teólogo.
- Historiador e Crítico
- Apologista
- Reformador
- Crítica geral do sistema.

II Parte - As causas do Modernismo

III Parte - Remédios.




Introdução

Objetivos da encíclica:
- Guardar a fé
- Repudiar as novidades profanas de palavras
- Opor-se a uma ciência enganadora

Os modernistas trabalham para o 'inimigo do gênero humano'
-São homens de perverso dizer (At XX:30)
-Vaníloquos e sedutores (Tit I:10)
-Que caídos eles em erro arrastam os mais ao erro (2Tim III:13)

São inimigos da cruz que utilizam de artifícios que objetivam:
- Inutilizar a virtude vivificante (Fé, Esperança e Caridade, ou seja, a Graça)
- Solapar pelos alicerces o reino de Jesus Cristo.

Os modernistas não estão mais entre os inimigos declarados:
- Se ocultam no seio da Igreja sendo assim mais nocivos e despercebidos
  - Membros do laicato católico
  - Um clero fingidor de amor à Igreja
      - Não possuem sólidos conhecimentos de filosofia e teologia.
      - Estão embebidos na heterodoxia do inimigo.
      - Proclamam-se orgulhosamente reformadores da Igreja
      - Atacam o que ha de mais santo da obra de Cristo
      - Sacrilegamente rebaixam os parâmetros do divino Redentor a um simples homem.

Desses inimigos da Igreja serão estudados:
- As doutrinas
- O modo de falar e agir

Não se afasta da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja.
Já não fora, mas dentro da Igreja atuam:
- Não sobre a ramagem e os brotos
- Mas sobre a raiz que são a Fé e suas fibras mais vitais
- Derramam o vírus por toda a árvore
- Não poupam nada de católico
- Tentam contaminar toda a verdade
- Invencíveis em manhas e astúcias
   -Ora são racionalistas, ora católicos.
   -Dissimulação para arrastar incautos
   -Não se amedrontam pelas consequências e ainda aceitam com obstinação e sem escrúpulo.
- Enganam os ânimos
   - Não se cansam de trabalhar
   - Assídua e vigorosa infiltração em todo ramo de estudo.
   - Tem fama de vida austera.

O que causa uma desesperança de cura:
- A escola modernista ensina o desprezo a toda autoridade e todo freio
- A escola modernista confia em uma consciência falsa
- Dizem ser amor a verdade o que é somente soberba e obstinação.

Mesmo com advertências:
- Curvam-se no momento
- Depois retornam com maior altivez.

Os modernistas apresentam suas doutrinas como:
- Não coordenadas
- Juntos em um todo, mas dispersas aparentando separadas umas das outras
- Duvidosos e incertos, mas na verdade firmes e constantes

Na encíclica é exposto
- A mesma doutrina em um só quadro
- O nexo que formam entre si num só corpo
- As causas do erro
- Os remédios.

I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

1 - O modernista filósofo

1º Estágio: estado negativo de negação (não se nega diretamente), ou de ignorância: a doutrina do agnosticismo:
- A razão apenas conhece os fenômenos (M: ref. a fenomenologia de Edmund Huseerl)
- A razão não transpõe os fenômenos (M: negação causa-efeito)
   -A razão não eleva-se a Deus
   -Não conhece sua existência
   -Não conhece a Deus pelos seres visíveis (M: Contra S. Paulo aos Romanos I,20) 
      -Deus não é objeto de ciência.
      -Deus não intervém na História.
-A revelação externa não tem crédito
   -A revelação externa é fruto do intelectualismo
   -A revelação externa é parte de um ridículo sistema e morto pelo tempo. (M: Argumento falacioso)

Todos esses erros são condenados pelo Vaticano I.

2º Estágio: Estado positivo de negação (nega-se diretamente): ateísmo científico e histórico
- Certeza de que Deus não atua
   -A ciência e a História são ateias.
   -Só ha espaço a fenômenos
   -Não ha espaço ao divino
- Os mistérios da vida de Jesus Cristo são reinterpretados: vida, morte, ressurreição e ascensão.

Dentro do 1°estágio, agnosticismo:
- Parte negativa exposta acima (negação da causa primeira).
- Parte positiva chamada de imanência vital (positivo pois: há algo, mas fenômeno humano)
   - Com a teologia natural destruída pelos preceitos de se negar a revelação externa.
   - A religião é interna ao Homem.
      - A religião é procurada dentro do Homem.
      - A religião é uma forma da vida.
      - Daqui precede o 'princípio da imanência religiosa'

Princípio da imanência religiosa:
   -Vem do fenômeno vital.
   -Atribuída a uma necessidade
   -Tem o primórdio no movimento do coração = sentimento = fundamento da fé.
      -Necessidade da divindade.
         -Não se manifesta na consciência.
         -A necessidade está no subconsciente.
         -Raiz oculta e inacessível.

Formação da religião pela 'necessidade da divindade':
   -A ciência e a História são fechadas em dois termos:
      -Externo, mundo visível.
      -Interno, mundo consciente.
   -Além ha o incognoscível que pode ser externo ou interno, dentro ou fora do homem.
     -O incognoscível tem necessidade de um quê de divino
     -No incognoscível não se atua a inteligencia.
         -Doutrina fideísta.
         -A realidade divina está envolta pelo sentimento.
            -O sentimento é o princípio da religião.

O sentimento principia a religião.
   - A fé é a divindade.
   - A revelação é aquilo que vem a consciência, manifestação confusa do sentimento.
      -Deus é revelante e revelado.
      -Deus é o homem.

Na última postagem vimos as definições de S.Pio X quanto aos Modernistas como os piores inimigos da Igreja, destruidores do reino social de Jesus Cristo que não mais se encontram fora d'Ela, mas dentro como leigos e membros do clero, são inflados por uma ciência e se julgam reformadores ou renovadores mais contemporaneamente. Também foi iniciada a primeira divisão chamada dos 'Modernistas Filósofos' quais partindo dos princípios 'agnósticos negativos e positivos' desenvolvem todo um caminho lógico para concluir a 'necessidade da divindade'  saciada no 'sentimento religioso' que envolve 'a realidade divina', e enfim 'sereis como deuses', 'deus é o revelante e o revelado' quando o 'sentimento religioso' vem a 'consciência' principiando a religião. A velha gnose.

Como ensinava um velho professor de História de São Paulo o modernismo é uma doutrina anti-intelectual qual ensina o emanantismo e a intuição, i.e. o verbo do homem se faz realidade, e para combater essa heresia o método dos escolásticos deve ser estudado e posto em prática com especial ênfase.

Segue agora a continuação do 'Modernista Filósofo', um estranho modo de se pensar não mais sobre a leitura da natureza como na filosofia clássica, mas na leitura de 'sentimentos religiosos' qual tratará da formação do dogma e de uma extrema subjetividade qual fundamentará a religião sobre o próprio caráter do indivíduo, notável consequência da escola liberal que em arte se chama 'Romantismo' e explicação profunda do opiniosismo contemporâneo:

Capitulação:

Introdução
I Parte - Exposição do Sistema e suas divisões
- Filósofo
- Crente
- Historiador e Crítico
- Apologista
- Reformador
- Crítica geral do sistema.

II Parte - As causas do Modernismo

III Parte - Remédios.




I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

1 - O modernista filósofo (continuação)

...
O sentimento principia a religião.
   - A fé é a divindade.   
   - A revelação é aquilo que vem a consciência, manifestação confusa do sentimento.     
   - Deus é revelante e revelado.      
   - Deus é o homem.

Deus é o revelante e o revelado:
   - Toda religião é igualmente natural e sobrenatural
   - Usa-se promiscuamente as palavras: consciência e revelação.
   - A 'lei da consciência religiosa' é baseada na afirmação de que a 'revelação' é a expressão da 'consciência' originada no 'sentimento', i.e. emanente, de dentro para fora: 
      - Lei qual todos devem se sujeitar, inclusive as autoridades da Igreja.
      - Ensinamentos e legislação de culto e disciplina são regidas por essa lei.
   - Ha processos que resultam em fé e revelação com relevância histórico-crítica.

Fé e revelação com relevância histórico-crítica. 
O incognoscível:
   - Não se apresenta à fé nu e isolado.
   - Intimamente unido a um fenômeno científico-histórico
   - Transpõe os limites científico-histórico.

Fenômeno científico-histórico do incognoscível.
   - De qualquer natureza
  - Algo misterioso como um homem talentoso que atuou e ensinou coisas incomuns as leis ordinárias da história.
   - A fé é atraída pelo incognoscível mais o fenômeno
   - A fé toma posse do incognoscível mais o fenômeno.

A 'fé' penetra a vida do 'fenômeno'  
   - O fenômeno se transfigura.
      - Pela sua própria condição de talentoso.
      - Apto a receber o divino.
   - O fenômeno se desfigura.
      - A fé subtraiu o adjunto tempo-espaço (M: se mitifica)
      - A fé lhe deu um atributo que na realidade não tem.
         - Quanto mais antigo mais possui tal atributo.

A 'crítica-histórica' dos modernistas se baseiam nos cânones:
1º Dos princípios do agnosticismo.
2º O fenômeno se transfigura.
3º O fenômeno se desfigura.

Exemplo da artimanha na pessoa de Jesus Cristo:
   - A ciência e a história só acham um homem.
   - Pelo agnosticismo risca-se tudo que a ha de divino
   - A pessoa humana foi transfigurada pela fé.
   - Não se eleva acima das condições históricas.
   - A pessoa humana foi desfigurada.
   - Deve-se então remover suas falas, ações e tudo que não corresponda ao caráter, condição e educação do tempo e lugar em que viveu. (M: exatamente o que os documentários de televisão fazem hoje).
Esse é o estranho modo de raciocinar dos modernistas em suas críticas.

De volta ao 'sentimento religioso':
   - Emanação vital da subconsciência.
   - Gérmen de toda a religião
   - Rudimentar
   - Tem o princípio misterioso que vai aperfeiçoando com o progresso do homem.
Essa é a origem de toda a religião inclusive da sobrenatural, que são meras explicações desse sentimento e isso não exclui a Igreja Católica. 

Conclui-se que a Igreja Católica nasceu na 'imanência vital' da 'consciência' de Cristo, i.e., o 'sentimento religioso' se expressou a 'consciência' e enfim emanou a Igreja.

O modernismo é um erro diferente dos antigos qual à natureza humana se atribuía um direito ao sobrenatural.
Vai se além, o modernismo diz que a religião católica é espontânea da natureza.

O Vaticano I condena tais erros (De Revel, Can.3)

A ação da inteligência:
   - 'Sentimento religioso' não é conhecimento.
   - Deus se apresenta confusamente no crente.
   - A inteligência tratará de pensar e analisar:
      -Traduz em representação mental os fenômenos da vida.
      -Manifesta em expressões verbais como: 'O homem religioso deve pensar a sua fé'.
   - A inteligência apenas realça o 'sentimento religioso', seria ela como um pintor que reforça os traços de uma obra velha.

A inteligência procede:
   - Ato natural e espontâneo, algo simples e vulgar sobre o sentimento (M: achismo)
   - Reflexão e 'mergulho' (M: intuição como em Henri Bergson), elaborando o pensamento com várias proposições secundárias.
      -As fórmulas dogmáticas entrariam nesse esquema.

Constituição do dogma, o ponto mais importante da doutrina modernista:
   - Tem origem em fórmulas primitivas, simples e essenciais a fé.
      - A fórmula primitiva vem de uma revelação verdadeira, de um 'sentimento religioso' numa clara aparição de Deus a consciência. 
   - Com base na fórmula primitiva haverão fórmulas secundárias.
   - Indaga-se a relação entre fórmulas dogmáticas e sentimento religioso.

Fórmulas dogmáticas e sentimento religioso:
   - As fórmulas dogmáticas tem como fim facilitar ao crente um modo de dar razão a fé.
   - As fórmulas são intermédios entre o crente e a fé.
   - Referenciando-se pela fé as fórmulas dogmáticas são expressões inadequadas de seu objeto.
   - Essas 'expressões inadequadas' os modernistas chamam de símbolos.
   - Os crentes veem as fórmulas dogmáticas como meros instrumentos.
   - As fórmulas não expressam uma verdade absoluta.
   - Os 'símbolos', i.e. as fórmulas dogmáticas, são meras imagens:
      - Devem adaptar-se ao 'sentimento religioso'.
      - São veículos de verdade.
      - Devem adaptar-se ao homem.
      - O sentimento apresenta diversos aspectos:
         -Muda a cada momento.
            -O dogma deve então acompanhar as mudanças de sentimento.

Esses são os acervos de sofismas modernistas que destroem a verdadeira religião.
Os dogmas devem 'evoluir' conforme o 'sentimento religioso'.

As fórmulas dogmáticas pelo modernismo devem ser formadas:
   - Não importa origem, número ou qualidade
   - O sentimento religioso tornam as fórmulas vitais e fá-las viver a própria vida.
   - A fórmula primitiva é aceita e confirmada pelo coração, 
   - As fórmulas secundárias são dirigidas pelos sentimentos do coração.
   - Para as fórmulas serem vitais devem estar sempre adaptadas a fé do crente.

Se a adaptação cessar a fórmula perde a sua primitiva significação e deve ser mudada.
Essa mudança é a razão que faz com que os modernistas tanto ataquem os dogmas pois para eles só tem valor o sentimento e a vida religiosa.

Criticam a Igreja pois deveria fazer distinção entre:
   - Sentido material das fórmulas dogmáticas.
   - Significação moral e religiosa, i.e. segundo eles as que variam com o sentimento.

Os modernistas em sequência se agarram obstinadamente, em vão, a fórmulas (secundárias) sem sentido e acabam por deixar a religião rolar no abismo.

Resumindo são.
   - Cegos que conduzem outros cegos,
   - Inchados de orgulhosa ciência, 
   - Deliram a ponto de perverter o conceito de verdade e de religioso.
   - Divulgam um sistema de desenfreada mania de novidades.
   - Não procuram a verdade onde certamente se acha.
   - Desprezam as santas e apostólicas tradições.
   - Apegam-se a doutrinas ocas, fúteis, incertas, reprovadas pela Igreja.
   - Homens estultíssimos que julgam fortalecer e sustentar a verdade (Gregório XVI, Encíclica "Singulari Nos", 7 de julho de 1834)

Assim pensa o modernista como filósofo.


Com as duas últimas postagem finalizamos a análise em tópicos do "Modernista Filósofo" que nesta continuação poderão ser vistos como a voz da ciência moderna que só vê a 'realidade dos fenômenos'.
Em resumo pelos princípios desonestos do 'agnosticismo negativo' negador da 'teologia natural' e da 'revelação externa' e passando pelo 'agnosticismo positivo' na chamada 'imanência vital'  dizem eles ser a religião 'interna ao homem' e que se irradia como 'imanência religiosa' atribuída a uma 'necessidade de um quê divino' e com 'primórdios no sentimento do coração' que envolve a 'realidade divina' qual se manifesta um dia na 'consciência' originando uma 'revelação' e uma religião sendo que 'Deus é o revelante e o revelado'. Um fluxo emanente típico dos sistemas gnósticos. 
Sendo o 'sentimento' a coisa mais importante para eles ao ponto de afirmar ser a 'fonte da revelação'  e 'fundamento da fé' as consequências morais e legais desse fundamento são caóticas pois os 'sentimentos' mudam como o vento e os juízos do intelecto devem ir os acompanhando. Nessa mesma razão de dinamismo sentimental as fórmulas dogmáticas também devem  ir mudando com constantes 'fórmulas secundárias' que são completamente vazias de significado originando diversas manifestações sem nexo com a verdadeira religião. 

Vale lembrar ou conhecer aqui rapidamente a chave da ortodoxia nas 'potências da alma' conforme o tomismo: a 'inteligência', a 'vontade' e a 'sensibilidade' devem estar nessa ordem pois, genericamente, primeiro se conhece a verdade pela razão, depois se quer ela pois é um bem conhecido e por fim se sente algo como alegria. Os modernistas invertem a ordem fiando-se no 'sentimento', querendo o oculto e para no fim submeter a 'inteligência' como mera reforçadora do 'sentimento' que se emana confusamente. 
A fé, por exemplo, que é uma virtude intelectual pois é superior a razão para os modernistas é algo fundamentado no sentimento, o que é uma loucura subversiva.


Nesta terceira parte é posto em tópicos a divisão dos chamados 'Modernistas Crentes' contemporaneamente fáceis de identificar pelo uso constante da palavra 'experiência' ou 'vivência' com desprezo ao conhecimento intelectual e de matiz protestante. Também é mostrado o caminho ao ateísmo na sorrateira tática de usar essa categoria de modernista para fazer a religião parecer separada e inferior a ciência moderna como também é mostrada a origem da dualidade entre ter-se duas vidas uma de fé, outra racional. 


Mateus de Paula



I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

2 - O modernista crente.


- O 'modernista filósofo' tem como objeto da fé a 'realidade divina' envolta no 'sentimento religioso'.
- O 'modernista crente' tem a 'realidade divina' na sua própria alma pelos objetos de 'sentimento' e 'afirmação'.

O modernista crente se fundamenta:
   - Na 'experiência' individual.
   - Em discordar dos racionalistas. (M: desprezo da razão)
   - Em ter opinião protestante e pseudomística.

No 'sentimento religioso':
   - Ha uma espécie de 'intuição do coração'.
   - Há um contato imediato com a 'realidade de Deus'.
   - Há uma persuasão de existência e ação interna ou externa maior que a persuasão da ciência.

O 'modernista crente' afirma verdadeira 'experiência' que vence a experiência racional.
Se pelos racionalistas tal experiência é negada eles dizem ser necessário se submeter a determinadas condições morais para alcançá-la.

Só é crente quem conseguir essa 'experiência'.

Ideias condenadas pelo Vaticano I.

---

A 'doutrina da experiência' + a 'doutrina dos símbolos', i.e. das fórmulas dogmáticas:
   - Toda a religião deve ser tida como verdadeira.
   - Toda 'experiência' é válida seja no catolicismo, seja no maometismo etc.
   - Os modernistas afirmam isso ora confusamente ora manifestamente.

Caminhos para por ventura atribuir a falsidade a uma religião qualquer:
   -Pela falsidade do 'sentimento religioso'.
      -Ora, o 'sentimento religioso' mais ou menos perfeito é sempre o mesmo.
   -Pela falsidade da fórmula proferida pela 'inteligência'.
      -Ora, a 'fórmula intelectual' (M: 'secundária' no caso dos dogmas) basta corresponder ao 'sentimento religioso' e ao crente.
   - Pelo conflito entre diversas religiões os modernistas podem quando muito sustentar que a católica tem mais verdade pois:
      -É mais viva (M: tem mais 'fenômeno vital' ou 'imanência vital')
      -Merece mais o título  de cristã pois é mais antiga as origens do cristianismo. (M: uma falácia por antiguidade).
Esses caminhos levam ao ateísmo.

Estendendo a 'doutrina da experiência' aplicando à tradição:
   - A 'tradição' passa a significar uma comunicação da 'experiência original'.
   - Feita por outrem pela pregação mediante 'fórmula intelectual'.
      - Fórmula de valor representativo.
      - Certa eficácia de sugestão.
         - Naquele que crê para reatiçar o 'sentimento religioso' entorpecido e restaurar a 'experiência'.
         - Naqueles que ainda não creem para despertar pela primeira vez o 'sentimento religioso' e produzir a 'experiência'.
   - Essa comunicação da 'experiência' pode lançar raízes e vingar ou esterilizar e morrer.
   - A tradição é viva.
   - O viver para os modernistas é a prova da verdade.
Basta existir para ser verdade, existindo várias religiões todas são verdadeiras pois estão vivas.

---

A ordem que os modernistas estabelecem entre fé e ciência:
   - O objeto de um é diferente do outro.
   - A fé se ocupa de uma coisa que a ciência chama 'incognoscível'.
   - A ciência acha-se toda na 'realidade dos fenômenos' onde a fé não penetra. (M: por princípios agnósticos da não transcendência)
   - A fé ocupa-se da 'realidade divina' que é desconhecida da ciência.
Conclui-se dessas premissas que não haverá conflito entre elas pois são campos distintos que não se encontram, logo não se contradizem. 
Porém ha a interferência de coisas da fé no mundo material como a vida de Cristo.
Considerando que Cristo foi 'transfigurado' e 'desfigurado' pelo fé nas considerações do filósofo, ha então o Cristo do 'mundo sensível' e o da 'matéria do divino':
   - O agnosticismo negará seus milagres, os 'filósofos' tratarão de Cristo na realidade histórica.
   - A fé os afirmará, os 'crentes' tratarão de Cristo a reviver pela fé e na fé.
   - Assim ficará sem se chocar.

Mesmo como essas teorias a fé e a ciência não são independentes:
   - A ciência se proclama independente sem dúvida.
   - A fé já depende da ciência:
      - 'realidade divina', 'experiência do crente', 'fórmulas religiosas' etc são inclusas no campo dos fenômenos, i.e. a ciência é que estuda os 'fenômenos da realidade'.
      - Estando o 'crente' no mundo nunca poderá se furtar das leis da ciência e da história.
      - Deus pertence somente a 'realidade divina' ou a uma 'ideia de Deus' e não ao mundo.
   - A ciência se deleita de ordem lógica e também se eleva ao absoluto e o ideal.
   - Surge o direito do 'filósofo' ou cientista indagar a 'ideia de Deus', dirigí-la na sua 'evolução', corrigí-la quando misturar elementos estranhos.
      - A evolução religiosa deve ser coordenada com a evolução moral e intelectual.
         - A fé deve ser subordinada a ciência.

A consequência é um dualismo insuportável ao gênero humano que passa a viver mal com tais distinções feitas pela heresia modernistas.
Tais erros são condenados por Pio IX (Brev. ad. Ep. Wratislaw em 15 de junho de 1857) e por Gregório IX (Ep. ad. Magistros theol, París, julho de 1223)

Os modernistas ensinam ora uma, ora outra doutrina separando fé e ciência:
   - Seus livros possuem coisas católicas numa página e na próxima racionalistas.
   - Em História não menciona a divindade de Cristo, mas nas pregações a professa.
   - Em História não mencionam Papas e concílios, mas nas catequeses citam com respeito.
   - Distinguem exegese teológica e pastoral da exegese científica e histórica.

Nesses princípios pisam as pegadas de Lutero (cf. Prop.29 conden. por Leão X, Bulla "Exurge Domine" de 16 de maio de 1520) abrindo caminho a enfrentar toda autoridade e contradizer suas deliberações.

Assim coordenados, modernistas 'filósofos' e 'crentes', professam a crítica de que a Igreja deve subordinar-se a ciência e acomodar-se as suas 'fórmulas secundárias', abandonando a 'velha teologia', empenhando-se a divulgar uma nova, toda amoldada nos desvairos dos filósofos.


---


Na primeira parte tratamos da introdução dos modernistas como os piores inimigos da Igreja e demos início ao 'Modernista Filósofo' qual, partindo do agnosticismo e da fenomenologia, não mais a revelação parte de Deus que está nos céus mas do deus que vem mesclado com 'sentimento religioso' e que se revela pela 'consciência'.

Na segunda parte finalizamos como o Modernista Filósofo subverte o conceito de religião pedindo que as 'fórmulas dogmáticas' acompanhem as constantes mudanças de sentimento.

Na terceira parte entra a figura do 'Modernista Crente' que possui uma linguagem pseudomística e viciada no termo 'experiência' antagonizando a corrente racionalista. A diferença do filósofo para este é onde se situa o objeto, o Modernista Crente possui a 'realidade divina' na própria alma e a experimenta. 'Experiência' passa a ser um termo chave à doutrina.

Segue agora a parte do 'Modernista Teólogo' que fará mecanismos de conciliação entre fé e ciência, Igreja e Estado, cidadão e católico, e que produzirá uma religiosidade simbólica, imanente e por contradições sendo sempre submissa ao que diz a 'ciência moderna' e sua doutrina, a evolução, dada por dialéticas como entre conservadores e progressistas.


Mateus de Paula

I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

3 - Modernista Teólogo.

Para facilitar a compreensão foi feita a divisão dos tópicos em três partes: a formação de uma teologia modernista, os frutos dessa teologia, a doutrina da evolução e da necessidade.

Primeira parte: Formação da teologia modernista.

O modernista teólogo buscará a conciliação entre ciência e fé (M: ambos definidos por eles mesmos).
Princípios:
- A ciência está em primazia.
- 1ªAdaptação de ciência e fé: imanência teológica.
- 2ª Adaptação: simbolismo teológico.

1ª Adaptação: Imanência teológica:
- O filósofo diz que o princípio da fé é imanente (M: brota do homem).
- O crente diz que o princípio dessa fé é Deus.
- O teólogo conclui que Deus é imanente ao homem.

2ª Adaptação: Simbolismo teológico:
- O filósofo diz que as representações da fé são apenas símbolos. (Ex: a Eucaristia)
- O crente diz que o objeto da fé é Deus em si.
- O teólogo conclui que as representações da realidade divina são apenas símbolos.


Os símbolos para eles são:
- Símbolos com relação ao objeto.
- Instrumentos com relação ao crente.

O modernista teólogo diz ao crente:
- Não ter apego às fórmulas, são apenas simbólicas (fórmulas impõe formalidade).
   - As fórmulas só são úteis se uni-lo a verdade absoluta.
  - As fórmulas revelam mas escondem, nunca conseguem exprimir a verdade (M: pois apenas a experiência consegue).
- As fórmulas são descartáveis, servem enquanto úteis.
- As fórmulas devem ser respeitadas se estiverem aptas a expressar a 'consciência comum' enquanto o magistério julgar assim.

Sobre a imanência não indicam o que pensam, mas emitem opiniões:
- Deus opera no homem mais que o próprio homem (ambígua, pode ser interpretada corretamente).
- A ação divina é a própria ação da natureza, isso elimina a distinção do sobrenatural.
- Deus é a natureza, postura panteísta, a mais coerente com a própria doutrina. 

Da 'imanência teológica' (1ª adaptação dita acima) se acrescenta:
- a 'permanência divina' que se difere em: 
   - experiência privada.
   - experiência transmitida pela tradição.

A exemplo a questão dos Sacramentos:
- A Igreja e os Sacramentos não foram instituídos pelo próprio Cristo pois:
   - O agnosticismo não permite, pois afirmam que Cristo é um homem comum. (M: lembrar do modernista filósofo)
   - A 'lei da imanência' não permite, pois não permitem externas aplicações.
   - A 'lei da evolução' não permite, pois requer tempo e circunstâncias para se desenvolver.
   - A história não permite, pois ela mostra o que realmente ocorreu (baseado nos princípios do filósofo).
- Cristo e os sacramentos se relacionam da seguinte forma:
   - Todas as consciências cristãs estavam inclusas na de Cristo como a planta na semente.
   - Na semente estão todos os cristãos que vivem a vida de Cristo.
   - Segundo a fé (e não a história e a verdade) a vida de Cristo é divina e assim também os cristãos.
   - Essa vida divina originou a Igreja e os Sacramentos.
   - (Esse processo torna também a sagrada Escritura e os dogmas divinos.)

- Sempre, em tudo, aceitar as conclusões da ciência.

Isso conclui a teologia dos modernistas, qualquer revelação externa está fora de questão, apenas ha o que as experiências humanas geram.
---

Segunda parte: Os frutos dessa teologia:
- São tratados quanto: a Igreja, o dogma, o culto, os livros sagrados, o magistério e as relações com os fieis e o mundo.

Dogma:

Pelo crente sabemos que:
- O dogma nasce da necessidade que o crente experimenta, elabora pensamento religioso e esclarece na a sua consciência deste modo:
   - Esquadrinhando e polindo a fórmula primitiva,
   - Não por si mesma e nem racionalmente,
   - Mas segundo as circunstâncias ou 'vitalmente'.
   Isso resulta:
   - Fórmulas secundárias.
   - Um todo doutrinal.
   - Que são ratificadas pelo magistério conforme a consciência comum.
   - No dogma.

As investigações teológicas sobre o dogma tratariam de:
- Harmonizar religião e ciência dissipando contraste entre elas.
- Iluminar a religião para defendê-la (conforme o modernismo).
- Talvez preparar um dogma futuro.

Culto

Tratando de culto os modernistas atacarão os Sacramentos.

O culto resulta de íntimos duplo impulso:
- Dar a religião algo de sensível.
- Necessidade de propagá-lo como algo sensível que chamam de Sacramento.

Consideram Sacramento como:
- Mero símbolo ou sinal.
- Com eficácia semelhante a palavra. A exemplo:
   - Certas palavras muito impressionam os ânimos despertando ideias.
   - Os Sacramentos do mesmo modo despertam um 'sentimento religioso' e nada mais.

Falariam mais claro afirmando logo que os Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé.
Proposição condenada pelo Concílio de Trento (Sess. VII, de Sacramentis in genere, cân.5):
"Se alguém disser que estes Sacramentos foram só instituídos para nutrirem a fé, seja anátema".

Livros sagrados.

Definem como uma coleção de experiências.

E acrescentam
- A experiência deve ser presente.
- É possível receber matéria do passado e do futuro.
   - O crente, pela lembrança, vive o passado como se fosse presente (e. velho testamento).
   - Vive o futuro por antecipação (e. apocalipse).
- Deus fala por meio do crente só por imanência e permanência vital.

Sobre a inspiração dizem eles:
- O crente experimenta de manisfestar vocalmente ou por escrito a própria fé.
- Semelhante com inspiração poética.
- A pessoa se infla de Deus e está inspirada em todo o texto.

Pelo agnosticismo.
- A Bíblia é um 'trabalho humano'.
- O teólogo apelida o 'trabalho humano' de 'divina por imanência'.

A Igreja.


Fruto de uma dupla necessidade:
- Do crente que precisa comunicar a sua 'experiência pessoal'.
- Do coletivo que possuem a 'experiência coletiva'.

A Igreja então é:
- É um parto da consciência coletiva.
- A consciência coletiva dependente do primeiro crente que no catolicismo foi Cristo.

Da autoridade da Igreja.
- A autoridade não veio de fora, i.e., de Deus.
- Assim como a Igreja emanou do consciente coletivo, a autoridade nasce da consciência religiosa.
   -Se a autoridade não vier dessa consciência religiosa é titulada tirânica.

O nexo com a democracia:
- Os tempos modernos possuem sentimento de liberdade em pleno desenvolvimento.
- Os estados civis são de regime popular por consciência pública.
   - A consciência humana é uma só.
      - Para não ter guerra com o mundo a Igreja deve curva-se a formas de democracia.

Ameaças.
- É loucura querer que o vivo sentimento da liberdade retroceda!
- Reprimir e enclausurar trará violência e a religião será destruída!

Com isso se concilia a autoridade da Igreja e a liberdade dos crentes.

A conciliação com os de fora.


A Igreja precisa se relacionar com o mundo.

Ela precisa de regras que estabeleçam direitos e deveres:
- Regras análogas as válidas entre fé e ciência.
- Estado e Igreja são estranhas uma à outra.
   -Uma é temporal a outra é espiritual.
- Cidadão e católico devem ser distintos
   - Conselhos, orientações, ordens e repreensões da Igreja podem ser desprezados, pois tem o direito e o dever de fazer o que é mais oportuno a pátria.
   - O cidadão tem uma norma a proceder.
   - O poder eclesiástico seria abusivo e deve ser repelido.
- A Igreja deve se sujeitar ao Estado que tem absoluta soberania no que é temporal.

As teorias que dinamizam de todos esses erros são condenados por Pio VI na Auctorem fidei (TP.: bula de 1794 com a condenação dos atos galicanos, jansenistas e do sínodo de Pistóia):
... (A afirmação de que) o poder do ministério e regime eclesiástico passa da comunidade dos fiéis para os pastores: é heresia.
... (A afirmação de que) da Igreja recebeu como sucessor de Pedro, verdadeiro Vigário de Cristo e chefe de toda a Igreja: é herética.

Exemplo dos protestantes liberais:
- Fazem questão de livrarem-se de todo culto e/ou sociedade externa
- Põe em prática uma religião chamada individual.
- Servem de modelo aos modernistas que desejam:
   -Que a Igreja seja desarticulada da autoridade eclesiástica.
   - Deve ser amoldada a forma civil quando esta tem autoridade disciplinar.
   (TP.: doutrinação estatal própria dos socialismos e comunistas parece)
   - Aumenta a gravidade quanto as afirmações sobre a autoridade doutrinal e dogmática.

Sobre o magistério eclesiástico os modernistas pensam:
- Um produto das consciência individuais.
- Deve inclinar as formas democrática e ficar se justificando as pessoas.
   - Sempre aceitar as opiniões da pessoas para não parecer abuso.
   - Deve entrar em acordo com autores antes de proibir seus livros.
   - Deve ter um meio termo entre a autoridade e liberdade.
   - O fiel pode protestar contra a autoridade e ainda se manter conforme sua vontade.
   - A Igreja deve ser admoestada pela multidão que já ignora a função espiritual d'Ela no mundo.

O desenvolvimento dos princípios.
- Tudo deve ser mutável e mudar-se de fato.
   - Caminho aberto para principal doutrina: a evolução.
- Se a Igreja, o culto, os livros sagrados, a fé etc não estão mortas devem se sujeitar as leis da evolução.

Terceira parte: a doutrina da evolução e da necessidade.

A evolução.
- A forma da primitiva da fé foi rudimentar e igual a todos os homens.
   - Estava na natureza e vida de todos os homens.
   - Pela 'evolução vital' o 'sentimento religioso' penetrou a 'consciência'.

'evolução vital':
- Primeira fase: negativa.
   - Eliminando todo elemento estranho como sentimento de família ou de nacionalidade.
- Segunda fase: positiva.
   - Com aperfeiçoamento intelectual e moral do homem resultou melhor clareza para a ideia da divindade  e excelência do sentimento religioso.
- Passaram por esse processo todos os gênios religiosos, profetas e o melhor foi Cristo.
   - Alcançaram novas e desconhecidas experiências em plena harmonia com as exigências do seu tempo.

O progresso do dogma é:
- Vencer obstáculos da fé, derrotar os adversários, repelir dificuldades.
- Contínuo esforço para penetrar nos ocultos lugares (arcanos) da fé;
- Seguir exemplos de esforçados, como Cristo.

Doutrina das necessidade que estimula a evolução:
- É estímulo à evolução a necessidade de adaptar aos costumes e tradições dos povos.
- É também a necessidade de gozar da eficácia de certos atos, já admitidos pelo uso.
- É necessário se acomodar as condições históricas.
- É necessário se acomodar as formas de governo publicamente adotadas.
- Doutrina validada para todos os princípios citados como Igreja, culto, dogmas etc.

A doutrina da necessidade fundamentará o que os modernistas chamam de 'método histórico'.

A 'doutrina das necessidades' estimula a 'evolução', porém a evolução se resulta de uma dialética: uma corrente conservadora e outra progressista.

A dialética conservadora e progressista.

A corrente conservadora:
- A força dela é a tradição.
- Exercida pelas autoridades religiosas que são retraídas das contingências da vida.
- Pouco sentem dos estímulos do progresso.

A corrente progressista:
- Corresponde as necessidades.
- Exercida por pessoas que se acham em contato com a vida (TP.: Os próprios modernistas).
- Introduz na Igreja o laicato como fator de progresso.

A convenção:
- A consciência individual faz pressão sobre a coletiva.
- Isso remete a pressão sobre a autoridade que deverá pactuar.

Os modernistas são os intérpretes do povo (TP.: espirito sindical, os sindicalistas são os interpretes dos trabalhadores)
- Julgam ter encarnadas em si todas as necessidades, expressar-se é missão sagrada.
   - Falam e escrevem sem medo.
   - Pensam merecer aplausos e não censuras.
- O progresso desejado exige combate: as autoridades (TP.: corrente conservadora) devem mesmo os maltratar.
- Lamentam que não sejam ouvidos pois isso é atraso ao progresso.
- As leis da evolução podem ser refreadas, mas nunca quebradas.

Abaixam a cabeça quando a autoridade aperta, mas na verdade planejam e fazem pior e as escondidas. (TP.: Após S. Pio X, 40 anos depois, eles ressurgem com tremenda cilada)

Usam de virtude para cumprir suas ideais obstinadas:
- Reflexão e prudência.
- A autoridade deve ser estimulada e não destruída.
- Desejam permanecer no seio da Igreja para assenhorear o povo (consciência coletiva).

O desejo de assenhorear a consciência coletiva é em si contraditória à ideia de que os modernistas são interpretes da mesma. De fato os sentimentos modernistas acabam impostos ao povo.

Todos as proposições e tendências expostas sobre progresso, ação do homem como se tudo fosse apenas filosofia a ser melhorada, evolução e demais desdobramentos das presunções modernistas são condenadas por Pio IX e pelo Concílio Vaticano I, a saber no "Qui pluribus", 9 de nov. de 1846, no Sylabus e Dei Fillius", cap. IV. (citações completas na encíclica).


---

Da primeira a terceira parte esse estudo vimos como os modernistas principiam seus movimentos no seio da Igreja contaminando os pensamentos. O Filósofo e o Crente separarão o corpo da alma gerando ora um racionalismo de agnóstico para ateu ora uma religiosidade irracional onde Deus se manisfesta de modo inefável por experiências e sentimentos.

Na quarta parte vimos um desdobramento do Modernista Filósofo e Crente através do 'modernista teólogo' que essencialmente busca trabalhar pela dialética hegeliana, ciência-fé, razão-sentimento, tradição-progresso sintetizando uma 'evolução' tal que sempre atenderá as necessidades do homem pela 'doutrina das necessidades'.

Nesta quinta parte serão tratados dos 'Modernistas Historiador e Crítico', duas peculiares variações do Modernista Filósofo que, negando serem adeptos dessa ou de qualquer outra filosofia, se passarão como imparciais dando claras notas ao que chamamos de mídia, jornal, documentários gerais que reescrevem a História segundo as suas leis, de certo modo é o mais vulgar divulgador do sistema modernista. Quem os negam serão chamados ignorantes, quem se embevece é louvado pois 'pensa com ponderação'.

Mateus de Paula.

I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

4 - O Modernista historiador e crítico.

O modernista historiador se preocupa em não parecer filósofo:
- Mostra-se alheio aos conhecimentos filosóficos.
- Quer parecer sem preconceito, imparcial.
- Aparenta-se completamente objetivo.

Na verdade ele desdobra todos os seus raciocínios dos princípios dos modernistas filósofos.
- O mesmo do agnosticismo:
   - A transfiguração das coisas pela fé
   - A desfiguração da pessoa real.
   - A história só trata de fenômenos.
   - Deus é tratado pela fé, não age na História.
- Esse raciocínio ele chama de 'refletir com ponderação'.

Para Cristo, a Igreja e os Sacramentos:
- Possuem elementos divino e humano.
- Separar e discriminar tais elementos.
   - Um Cristo da história, outro da fé.
   - Uma Igreja da história, outra da fé
   - Os Sacramentos da história, os da fé  etc.
- O historiador toma o elemento humano para si.

A ponderação faz com que a questão da fé seja restituída:
- Como natural, como a psicologia apresenta.
- Como as condições de lugares de tempo
- Conforme a lógica dos fatos e a índole das pessoas.
- Desejam que Cristo não tenham dito coisas que parecem não estar ao alcance do vulgo.
- Relativo as condições da época e de articulação subjetiva.

Tal ponderação é aplicada a pessoa de Cristo, da Igreja, dos Sacramentos etc.

O Crítico atuará sobre os documentos:
- Dividirá tudo em real e da fé.
   - Os Evangelhos de S. Mateus, S. Lucas e S. Marcos são alegorias históricas.
   - O Evangelho de S. João será o da fé, mera meditação.

Pelo princípio da 'emanação vital' todo acontecimento deve ser a conseqüência de uma necessidade humana.

doutrina das necessidades humanas será o pivô das obras e da histórias.
- O historiador catalogará cada uma das necessidades.
- O crítico usará esse catálogo e o aplicará nos documentos de todas as idades, dirá a necessidade e narrará o fato.

O começo de um fato e seu desenrolar:
- A data será dada por quando a necessidade se manifestou na Igreja.
- Os documentos estão dispostos conforme a idade.
   - Segregação dos documentos da origem.
   - Segregação dos documentos de desenvolvimento, estes em ordem cronológica.
- O modernista filósofo irá pedir para conformar as 'leis da evolução'.
- O Historiador acata e irá ver as 'necessidades' internas e externas que impeliram o progresso conforme as leis da evolução.
- O Crítico adaptará os documentos a essa nova história.

O filósofo que de fato reescreve a história.
'Gabando-se de sábios, estultos é que se tornaram' (Rom 1,21-22);
Ao mesmo tempo provocam a indignação, quando acusam a Igreja de corromper os documentos para fazê-los servir aos próprios interesses. Isto é, atiram sobre a Igreja aquilo de que a própria consciência manifestamente os acusa.

A exemplo de crítica modernista aos livros sagrados:
- Não podem ser atribuídos aos autores que trazem o nome.
- O pentateuco e os três primeiros Evangelhos não são dos autores que se diz.
- Narração primitiva, avolumando por acréscimos e interpolações, seja a modo de interpretações teológicas ou alegóricas.
- Foi tudo escrito por uma evolução.
- Passam a impressão de terem conhecidos os escritores das adições.
- Fazem juízos dos elementos se estão no lugar certo ou não.

O método é o fluxo: filósofo, historiador e crítico.
A crítica é sempre agnóstica, imanentista e evolucionista.

Os católicos estão contaminados desse gênero de crítica. Motivos:
- Forte aliança que possuem os historiadores e críticos desse gênero.
- Audácia das parvoíces que são tomadas por 'progresso e ciência', quem as nega é chamado de ignorante, quem aceita é louvado.

A reação correta é de horror ao saber do que se trata.
O assentimento dos pusilânimes produz uma atmosfera que penetra em toda a parte, difunde e contagia os meios. Assim age o modernista historiador e crítico.


Como visto o modernista 'Filósofo' fornecerá os princípios de uma "filosofia autista" onde o que vale são os fenômenos dentro do sujeito e imanência. O 'Crente' se entorpecerá das práticas e será objeto para o estudo do fenômeno religioso. O 'Teólogo' sintetizará uma teologia de tese e antítese que atende as necessidades do homem e os 'Historiador e Crítico' parecerão os imparciais que "pensam com ponderação". Neste post são tratados os dois últimos perfis modernistas citados por S. Pio X. 

Nesta parte temos o 'Apologeta', este emulará o católico em contexto modernista.  Sob orientação do filósofo defenderá falsamente o catolicismo por duas vias: a do agnosticismo e a do subjetivismo (imanência), e ao mesmo estará sempre atacando a Igreja e o próprio Cristo pondo-os conforme as suas leis. Ele solucionará as controvérsias religiosas por meio de indagações históricas, psicológicas e divagando com contradições sobre o infinito. De certo modo crê-se em um Deus utilitário, um modo de garantir poder.

Fechando com o 'Reformador' teremos uma total reviravolta na filosofia ensinada nos seminários, na teologia, na história escrita, no catecismo, no culto e na moral acabando assim por fundar uma nova religião e uma nova sociedade. Notoriamente a que vivemos.

S. Pio X profetiza: "O método e as doutrinas estão cheios de erros, capazes só de destruir e não de edificar, não de formar católicos, mas de arrastar os católicos à heresia, mais ainda, à completa destruição de toda religião!"

E assim agiremos ao contrário.

Mateus de Paula.

Capitulação:

Introdução
I Parte - Exposição do Sistema e suas divisões
- Filósofo
- Crente
- Teólogo
- Historiador e Crítico
- Apologista
- Reformador
- Crítica geral do sistema.

II Parte - As causas do Modernismo

III Parte - Remédios.

I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

5 - O Modernista Apologeta.

Dependência dupla do filósofo:
1 - Indiretamente: A história usada é a escrita e orientada por ele. 
2 -  Diretamente: Princípios e juízos também são dele.

Preceito comum da escola modernista:
Solucionar as controvérsias religiosas por meio de indagações históricas e psicológicas.

- Não defendem a religião com livros sacros.
- Não usam de histórias antigas, mas a história conforme norma moderna.
- Insistem que são sinceros por já terem combatidos entre os racionalistas que os louvam.

Para bem agir os católicos devem rechaçar esses louvores.

A finalidade do modernista apologeta é:
"conduzir o homem que ainda não crê, a sentir em si aquela experiência da religião católica que, para os modernistas, é base da fé"

Ele atua com dois caminhos: 
- Via agnosticismo.
- Via fé pelo subjetivo (imanência).

Partindo do agnosticismo:
- No catolicismo ha tal energia vital, que obriga todo sábio psicólogo e historiador a admitir que na sua história se esconde alguma coisa incógnita.
- O progressivo desenvolvimento da semente a que Cristo deu origem

Sem perceberem usaram o argumento da semente primitiva do apriorismo do filósofo agnóstico (kantiano a exemplo) e evolucionista.

No catolicismo dizem ter muitas coisas que desagradam: 
- Na Igreja:
   - Em matéria dogmática encontram erros e contradições
   - Que tais erros e contradições só merecem desculpas
- Nas Sagradas Escrituras:
   - Ocorrem muitos erros em matéria científica e histórica, 
   - Não tratam de ciência ou história, e sim de religião e de moral
   - A ciência e a história ali são meros invólucros, que contornam as experiências religiosas e morais
   - Não lhe seria vantajoso, porém nocivo, estar de posse de uma ciência ou de uma história mais perfeita.

Segundo os modernistas uma vez os livros tendo vida tem por sua vez uma verdade e uma lógica.
Tudo o que se explica pela vida é verdadeiro e legítimo. 

A postura católica é crer que os livros sagrados foram escritos por inspiração do Espírito Santo e tendo Deus por autor (Conc. Vat. I De Ver. C.2), negar isso equivale a atribuir a Deus a mentira de utilidade ou oficiosa

Santo Agostinho se expressa:
Em excelsa autoridade qualquer mentira oficiosa, não haverá nem uma pequena parte daqueles livros que, parecendo a alguém difícil de praticar ou incrível de crer, com a mesma perniciosíssima regra não seja atribuída a conselho ou utilidade do mendaz autor (Epíst. 28).
E daí resultará o que o Santo Doutor acrescenta:
Neles, isto é, nos livros sacros, cada um dará crédito ao que quiser, e rejeitará o que não lhe agradar.

Sobre as profecias os modernistas as usam como gênero justificador ao que convém.

Sobre o próprio Jesus Cristo dizem que errou manifestamente, indicando o tempo da vinda do reino  de Deus, pois ele ainda se achava sujeito às leis da vida

Sobre dogma estes estão cheios de evidentes contradições; mas, além de serem aceitos pela lógica da vida, não se acham em oposição com a verdade simbólica; pois, neles se trata do infinito, que tem infinitos aspectos.

Sobre o Infinito prestam o maior preito de homenagens afirmando acerca do mesmo coisas contraditórias!  E admitindo-se a contradição, que é o que não se admitirá?

Pela via da fé pelo subjetivo: 
Os apologetas voltam-se de novo para a doutrina da imanência.

Nos íntimos recantos de sua natureza e de sua vida, se oculta o desejo e a necessidade de uma religião, não já de uma religião qualquer, mas da católica, para perfeito desenvolvimento da vida estrita e verdadeira exigência para com o sobrenatural exigência da religião católica é sustentada pelos modernistas mais moderados.

Ser denominados integralistas, pretendem que se deve mostrar ao homem que ainda não crê, como se acha latente dentro dele mesmo o gérmen que esteve na consciência de Cristo, e que Cristo transmitiu aos homens

6 - O Modernista reformador.
Movimento dado pela mania de inovação:

Na filosofia
- Deve ser contra a escolástica.
- Aplicada nos seminários
- A única verdadeira é correspondente aos nossos tempos. 

Reforma religiosa:
- Chama teologia racional
- Teologia positiva se baseie na história dos dogmas

História Escrita:
- Métodos e com preceitos novos
- Dogmas e a sua evolução devem entrar em acordo com a ciência e a história.

Catecismo
- só aqueles dogmas, que tiverem sido reformados e estiverem ao alcance da inteligência do vulgo

Culto:
- Diminuir as devoções externas e proibir que aumentem
- Mais favoráveis ao simbolismo
- Regime eclesiástico deve ser renovado em todos os sentidos (especialmente na disciplina e no dogma)
- Acha de todo inclinada para a democracia
- Clero inferior e o laicato devem tomar parte no governo.
- Mudara atitude da autoridade eclesiástica nas questões políticas e sociais.

Moral
- Em moral estão pelo Americanismo: virtudes ativas devem antepor-se às passivas.
- O clero volte à antiga humildade e pobreza de acordo no pensamento e na ação com os preceitos do modernismo
seus mestres protestantes pede suprimido do sacerdócio o sacro celibato

Toda a Igreja ficará transmutada, não haverá nada de católico.


O sistema modernista se resume na afirmação de ser a síntese de todas as heresias.

Como visto nas partes anteriores temos detalhados os 7 tipos de modernistas que produzem ares anticatólicos e um sistema que abrange todo o pensamento da sociedade: o Filósofo, o Crente, o Teólogo, o Historiador, o Crítico, o Apologeta e o Reformador, todos atuam parecendo vagos e desconexos mas com profundo engajamento. O principal mentor é o Filósofo e a doutrina básica é o agnosticismo.

O agnosticismo como vimos se desdobra em diversas doutrinas tais como o imanentismo (o homem revela uma teologia), o fideísmo (inteligência não atua), a das experiências e do simbolismo, a da dialética, das necessidades e do evolucionismo que contaminará todas as ciências. O resultado final será o ateísmo e a destruição da religião como prevê o Santo Padre.

Nesta parte se resume o sistema modernista e também finalizo a seção de sintomatologia dessa doença que é a primeira parte da encíclica. O agnosticismo cega o homem de sua inteligência e o faz guiar-se por sentimentos e experiências, isso por sua vez o desvia daquilo que São Paulo descreve aos Romanos (I,20) sobre conhecer Deus pelas coisas criadas através da inteligência. A filosofia de Aristóteles por exemplo, se tornaria impossível com os princípios agnósticos. Vale também lembrar outro princípio que é da negação da revelação externa; o homem tem portanto a "via pagã" e a teológica fechadas para conhecer Deus ou qualquer coisa elevada deste mundo.

Em suma, o homem que se guia por sentimentos e experiência torna-se como um demente ou um perfeito imprudente. São Pio X recomenda aqui os estudos de tratados de ascética que devem ser tomados com afinco pelas autoridades eclesiais para que saibam como lidar com prudência com esse tipo de gente.

As partes que virão tratarão das causas e dos remédios encerrando por aqui a parte dos sintomas modernistas.

Mateus de Paula.


Capitulação:

Introdução
I Parte - Exposição do Sistema e suas divisões
- Filósofo
- Crente
- Teólogo
- Historiador e Crítico
- Apologista
- Reformador
- Crítica geral do sistema.

II Parte - As causas do Modernismo

III Parte - Remédios.

I Parte - Exposição do sistema e suas divisões

6 - Crítica geral do sistema.

O vocábulo dos modernistas é bárbaro. Visam destruir o catolicismo, mas também qualquer religião (M: uma análise dentro das seitas protestantes mostram as consequências mais avançadas do modernismo hoje).

O agnosticismo é a mais prejudicial doutrina por:
- Fechar a inteligência do homem para os caminhos a Deus.
- Abrir a um certo sentimento e a ação.

A abertura ao sentimento e exclusão da inteligência fará o homem ser arrastado com intensidade pelos sentidos.

Fantasia de um sentimento religioso contra o senso comum.
Nosso senso comum (M: talvez bom senso) nos diz que "toda a perturbação ou preocupação do espírito, longe de ajudar, impede a investigação da verdade".

A verdade subjetiva dos modernistas, que é fruto do sentimento íntimo e da ação, no máximo serve para um jogo de palavras sem nada aproveitar ao homem qual não saberá se fora de si existe ou não um Deus em cuja as mãos ha de cair um dia.

A experiência
O modernista recorre com afinco então a experiência.
A experiência nada acrescentará ao sentimento que é sempre sujeita ao engano.
A experiência dará ainda mais o direito de ser sentimento.

Sentimento religioso e experiência devem ser tratados com prudência pelas autoridades especialmente sabendo que ha pessoas que o sentimento domina.

Estudos de tratado de ascética são verdadeira doutrina, são mais sólidas e mais fina que a vanglória modernista.

Experiência íntima tomada como verdadeira deve ser tratada como demência ou no mínimo como perfeita imprudência.

O ateísmo ou absoluta falta de religião.
O modernista produz a doutrina do simbolismo, 
Nela ha os elementos intelectuais que são símbolos de Deus. 
Ora porque não Deus também ser um símbolo? Duvida-se da personalidade divina.
Abre-se estrada ao panteísmo

De um puro panteísmo leva-se a doutrina da imanência divina (o homem inventou Deus).
Deus e o homem não são distintos.
Nega-se a revelação externa.
Chega-se no panteísmo.

A imanência quer e admite que o fenômeno da consciência procede do homem enquanto homem.
Nesse raciocínio Deus e o homem são a mesma coisa.
Chega-se no panteísmo

O resultado entre as conclusões entre ciência e fé também levam ao panteísmo.
A ciência é na realidade do cognoscível.
A fé na realidade do incognoscível
Incognoscível é a completa desproporção entre objeto e inteligência, isso nunca cessa.
A religião será do incognoscível.
Os racionalistas irão desprezá-la por não poder ser desse mundo.
Chega-se no panteísmo.

Bem nos certificarmos de que muitos são os caminhos, pelos quais a doutrina modernista vai acabar no ateísmo e na destruição de toda religião. Neste caminho os protestantes deram o primeiro passo; os modernistas o segundo; pouco falta para o completo ateísmo.

Em resumo as causas do Modernismo são: o orgulho + o amor às novidades + o ódio à Escolástica medieval.
O sistema modernista apresentado, ou seja, o papel e a articulação dos 7 tipos de modernistas, nasce da aliança de um sistema filosófico antiescolástico com a fé.

Pelas novidades os modernistas estarão sempre na busca do contrário ao que sempre foi ensinado o que lhes implicará uma postura que 'os diferenciam dos demais homens'. Se o senso comum mostra que a realidade é real e que segue uma ordem lógica ou metafísica, os modernistas aceitarão todo pensamento que negue a existência; o resultado disso é que seu diferencial é o delírio.

Pelo orgulho os modernistas se farão referência para os outros e se acharão inerrantes. Se farão doutores da Igreja ao mesmo tempo que chamarão os verdadeiros doutores de ignorante e antiquados. Na realidade o contrário é que ocorre, suas inteligências se voltam a destruição da Escolástica e da tradição perdendo assim qualquer forma de refutar sofismas e confusões que já foram historicamente refutados. A luz de sua ciência é uma luz luciferina e todo esforço e paciência que empenham é um mau uso; são persistentes no erro, se forem refutados com argumentos não se convertem, mas calam-se ou como também é conhecido 'entram em dormência'.

Para propagarem-se, entre a juventude principalmente, simularão uma grande febre, parecerão muitos usando vários pseudônimos e vários meios de comunicação. Sua tática é fadigar até a desistência e adesão dos indivíduos.

Para encontrá-los é mais fácil do que se pensa, estão na direção dos seminários, nos púlpitos, nas instituições de caridade, nos livros, nos jornais, nos artigos e anacrônico a encíclica e evidente, na televisão.

Tratando-se de referências fora da encíclica que explicam a  causa histórica do Modernismo vale incitar o estudo do Liberalismo, especialmente sobre a manifestação do Romantismo alemão e francês que espalham as ideias liberais pelo mundo, recomendo esta aula gravada pela Prof. Dra Ivone Fedeli, vale fazer anotações. Não menos importante, ou até mesmo no coração do modernismo, é interessante estudar a Gnose e as influências cabalísticas e pietistas cuja alguns autores como George Steiner mostram estar no cerne de Heidegger, por exemplo, um notável filósofo modernista que subverte termos tomistas.

Na próxima parte será fechada a encíclica com o que talvez mais interesse: os remédios.
Mateus de Paula



Capitulação:

Introdução
I Parte - Exposição do Sistema e suas divisões
- Filósofo
- Crente
- Teólogo
- Historiador e Crítico
- Apologista
- Reformador
- Crítica geral do sistema.

II Parte - As causas do Modernismo

III Parte - Remédios.

II Parte - As causas do Modernismo

O Modernismo causa uma aberração do entendimento:
- Por amor de novidades
- Orgulho
(M: heresia e impiedade)

Amor das novidades:
O Papa Gregório XVI na Enciclica "Singulari Nos" 7/07/1834 nota o delírio da razão humana correndo atrás de novidades indo contra aos ensinamentos de S. Paulo sobre saber mais do que convém confiando demasiado em si.
Buscando verdade fora da Igreja católica só encontra o erro.

O orgulho é o mais forte, é um caminho direto para o Modernismo.
- É como se fosse um campo fértil das manifestações modernistas.
- O modernistas confiam em si mesmos.
- Se fazem de regras para os outros.
- Se promovem os únicos possuidores do saber (salvífico).
- Para "não ser como os outros homens" adotam a loucura da novidade e do absurdo.
-  Querem reformar os outros.
- Passam sobre a autoridade.

A postura cristã é a de negarmos a nós mesmos, isso combate o orgulho.

A autoridade católica deve:
- Ocupar os modernistas de atividade humildades e obscuras afim de deprimi-los e reduzir o seu dano.
- Avaliar os candidatos a fileira do clero, se naturalmente orgulhoso deve ser riscado dos ordinandos.

Relação com a inteligência.
- Surge a ignorância, todo modernista quer parecer doutor na Igreja.
- Buscam qualquer coisa contrária a Escolástica.
- Aderem ao brilho falso (M: uma luz luciferina)
- Ignoram a Escolástica, por isso não refutam a confusão e o sofisma.
- O sistema modernista nasce da aliança filosofia antiescolástica com a fé.

Os modernistas são um mau uso das forças (M: como um missionário as avessas):
- Removem os obstáculos
- Exploram os ardis que lhes podem servir
- Tem prática incessante e paciente.

Eles veem como obstáculo e lutam apaixonadamente contra:
- O método escolástico de raciocinar,
- A autoridade dos Padres com a Tradição,
- O Magistério eclesiástico.

São contra a Escolástica:
- Desprezam pois a ignoram, a temem ou ambas.
- Odeiam-na somado ao amor às novidades.

É sinal que alguém esta se volvendo ao Modernismo quando demonstra aborrecimento pela Escolástica.

Pio IX no Sylabbus, proposição 13, diz que está condenado quem a afirma:
«O método e os princípios com que os antigos doutores escolásticos trataram a teologia, não condizem mais com as necessidades dos nossos tempos e com os progressos da ciência».

Desvirtuam a natureza e a eficácia da tradição, a deixam sem peso e autoridade.
O II Concílio de Niceia condenou sobre a tradição:
«aqueles que ousam..., à maneira de perversos hereges, desprezar as tradições eclesiásticas e imaginar qualquer novidade... ou pensar maliciosa e astutamente em destruir o que quer que seja das legítimas tradições da Igreja católica»

Os católicos devem conservar e defender as regras

Contra os Padres da Igreja os modernistas:
- Fazem-nos passar por muito ignorantes da crítica e da história,
- "Outros houveram sido os tempos em que viveram".
- Diminuem e enfraquecem o magistério eclesiástico, ora deturpando-lhe sacrilegamente a origem, a natureza, os direitos, ora repetindo livremente contra  ele as calúnias dos inimigos.
- Tem o costume de "deprimi-la em público com uma insensata calúnia e, trocando a noção das coisas e das palavras, de chamá-la amiga do obscurantismo, sustentáculo da ignorância, inimiga da luz, da ciência e do progresso" (Motu-proprio. "Ut mysticam",14/03/1891)
- Os chamam ignorantes e obstinados.
- Se são refutados pela erudição e por acertos se atemorizam e entram em silêncio.

Em contradição passam suas mercadorias:
- Exaltando quem segue o seu partido:
- Quem destrói as coisas antigas, escreve sobre as novidades, rejeita as tradições e o magistério eclesiástico.
- Se horrorizando pelo espírito reto.
- Elogiando e tratando como mártires os excomungados ou punidos pela Igreja.

Para angariar a juventude se mostram como sábios instigando o amor pela novidade e orgulho até fadigar as suas resistências e desertarem para o lado modernista.

Onde atuam:
- Buscam cátedras em seminários e universidade
- Pregam nas igrejas e congressos.
- Exaltam-se em institutos sociais.
- Livros, jornais e periódicos.

Podem atuar com vários pseudônimos.
Buscam parecer uma violenta febre pelas palavras, ações, imprensas, experimentam de tudo para tal.

Resultado:
- A perda de grande número de moços, que davam ótimas esperanças de poderem um dia prestar relevantes serviços à Igreja, atualmente estão fora do bom caminho.
- Leigos, sacerdotes e famílias religiosas, pensam, falam e escrevem com tal liberdade, que em católicos não assenta bem.
- Tratam a Escritura à maneira dos modernistas. Escrevendo sobre a história tudo o que pode desdourar a Igreja divulgam cuidadosamente e com disfarçado prazer.
- Guiados por um apriorismo  procuram sempre desfazer as piedosas tradições populares
- Desdenham as sagradas relíquias, respeitáveis pela sua antiguidade.
-  Enfim, vivem preocupados em fazer o mundo falar de suas pessoas, para isso deve-se destruir o que sempre foi dito.

Podem estar eles na persuasão de fazerem coisa agradável a Deus e à Igreja; na realidade, porém, ofendem gravemente a Deus e à Igreja, se não com suas obras, de certo com o espírito que os anima e com o auxílio que prestam ao atrevimento dos modernistas.

S. Pio X dá 7 remédios contra o Modernismo:
1º A Escolástica de S. Tomás de Aquino;
2ª Observar a escolha dos diretores e professores;
3º Proibir a leitura de autores modernistas;
4º Proibir a impressão das obras modernistas;
5º Proibir os congressos de sacerdotes;
6º Criar de Conselhos de Vigilância de atuação bimestral;
7ª Repassar a encíclica a cada 3 anos.

Tomando que a encíclica é voltada "Aos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e outros Ordinários em paz e comunhão com a Sé Apostólica", e tomando também que é evidente que uma grande parte dos mesmos titulares atuais talvez nem conheçam o documento, cabe nas devidas proporções, o trabalho dos leigos no caráter de batizados e confirmados a busca da aplicação desse documento em no mínimo estudar a fundo a doutrina de S. Tomás.

Da escolástica se pede ênfase na obra de São Tomás, especialmente na sua metafísica, fundamentando assim a filosofia se poderá se ter um diligente edifício da teologia.

Leão XIII já levantou algumas contenções sobre a defesa das Sagradas Escrituras.

Os modernistas invertem as palavras do pontífice do modo que convém.

Dos livros é d

Aos bispos se pede: vigilância, desvelo e fortaleza
Pastores das almas, dos educadores e mestres do jovem clero, e particularmente dos Superiores gerais das Ordens religiosas.

I -  Da escolástica
- Adotar principalmente a obra de São Tomás de Aquino
- Pleno vigor tudo o que foi determinado por Leão XIII
- Se o ensino estiver descuidado é dever dos Bispos exigir que volte a se observar.
- Foco especial em matérias metafísicas. Temer o o afastamento da metafísica tomista.
- Fundamentar assim o edifício teológico.
- Sobre teologia é dever das outras ciências e artes servirem-na e auxiliarem-na como escravas (Leão XIII, carta ap. In magna, 10/12/1889)
- O santo padre distingue duas teologias: a positiva e a escolástica.
   - A teologia positiva deve seguir critério e normas católicas baseada na verdadeira história.
   - Que teologia positiva não deve de modo algum sobrepujar ou desprezar a escolástica.
- Quanto as disciplinas profanas ou das coisas naturais observar o dito por Leão XIII, estudá-las mas evitando a tendência de que essas ciências substituam as mais elevadas.

II - Da escolha dos diretores e professores.

- Muita atenção toda vez que se tratar da escolha dos diretores e professores tanto dos seminários quanto das universidades católicas.
- Afastar do cargo quem tiver tendência modernista.
- Afastar quem tiver apologia modernista ou desprezo da escolástica.
- Afastar quem se mostrar amigo das novidades em matéria histórica, arqueológica e bíblica.
- Afastar aqueles que se descuidarem dos estudos sacros ou parecerem dar preferência aos profanos.
- Muito longe do clero esteja o amor às novidades.
- A ninguém doravante se conceda a láurea da teologia ou direito canônico, se primeiro não tiver feito todo o curso de filosofia escolástica
- Observar as disposições emanadas da Sagrada Congregação dos Bispos e Regulares no ano 1896  acerca da freqüência dos clérigos regulares e seculares da Itália às Universidades
- Não poderão frequentar nas Universidades civis cursos também existentes nos Institutos católicos a que se inscreveram

III - Proibir a leitura (livros).
- Das obras já publicadas proibir a leitura e novas edições.
- Observar isso nos seminário s e Universidades Católicas, isso salva a raiz da vida cristã.
- Observar autores católicos de boa vontade pois muitos não possuem estudos teológicos, mas estão embebidos de modernismo. Estes buscarão reputação e conciliação para proveito da fé, mas encaminharão ao modernismo.
- Prescrição enérgica e proibição solenes dos livros modernistas em circulação.
- Ação por diocese, a Santa Sé não tem forças para as publicações no mundo inteiro.
- Os bispos devem ignorar o respeito humano "repelindo a prudência da carne, desdenhando a grita dos maus, com suavidade perseverante cumpram todos o que lhes cabe."
- Observar a Constituição Apostólica Officiorum de Leão XIII
- Desconfiar dos Imprimaturs pois podem ser falsos, descuidados, dados por excesso de benignidade ou demasiada fé no autor especialmente se associados a uma Ordem.
- Observar também que uns livros podem parecer inocente a uns, mas são nocivos a outros.
- Os Bispos devem escutar denúncias de pessoas prudentes quanto a obras em circulação.
- Os livreiros católicos são obrigados a não venderem esses livros e devem observar o documento Officiorum especialmente no caso de título pontifício.  

IV - Proibir a impressão
- Rigor nas concessões da licença de impressão.
- Tomar como modelo dioceses que possuem a figura do censor, tê-los em todas as dioceses.
- O censor: um padre secular e regular, idoso, sábio e prudente.
- Referencias pelo artigos XLI e XLII da constituição Officiorum.
- O Imprimatur deverá ser concedido pelo Bispo após a aprovação do censor.
- O Nihil Obstat deverá ter o nome do censor.
- Na cúria romana devem ser instituidos os Censores de Ofício,designados pelo Mestre do Sagrado Palácio Apostólico, depois de consultar o Cardeal Vigário de Roma e obtido também o consentimento e aprovação do Sumo Pontífice.
- Cautela especial com Censores entre as Ordens religiosas.
- Cautela com as opiniões particulares.
- Especial rigor com jornais e periódicos, meio onde padres já expressam modernismo.

V - Proibir congressos de sacerdotes
- As reuniões e congressos são muito usados pelos modernistas como propaganda.
- Ficam proibidos pelos Bispos os congressos promovidos pelos sacerdotes.
- Assuntos de eventuais congressos devem ser vistos pelos Bispo e pela Santa Sé, não sendo manisfesto caráter de petição de usurpação de jurisdição, nem se faça menção alguma de tudo o que pareça modernismo, presbiterianismo ou laicismo.
- Congresso devem ter autorização em particular e por escrito sendo proibido sacerdotes de outras dioceses sem carta de recomendação de outro Bispo.
- Observar a encíclica de Leão XIII Nobilissima Gallorum de 1884 sobre a falta dos sacerdotes agirem sem a observação do Bispo.

VI - Criação de conselhos de vigilância
- Observar as atas do Congresso dos Bispos de Umbria de 1849.
- Instituição de um conselho de homens eméritos dos dois cleros  com a incumbência de ver se, e de que modo, os novos erros se dilatam e se propagam, e dar aviso disto ao Bispo.
- Em cada diocese deve-se instituir um conselho deste.
- O conselho deverá ser constituído pelas mesmas normas dos censores.
- Se reunirão por bimestre com a presença do Bispo e as coisas tratadas serão de segredo inviolável.

VII - Repetição da encíclica a cada triênio
- exposição diligente e juramentada os Bispos informem a Santa Sé a respeito do que nestas mesmas Letras se prescreve e das doutrinas que circulam no clero e particularmente nos seminários e outros Institutos católicos, não excetuando nem sequer aqueles que estão isentos da autoridade do Ordinário. Ordenamos a mesma coisa aos Superiores gerais das Ordens religiosas, com relação aos seus súditos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário